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NAOMI

Naomi Grossman é uma atriz, comediante, diretora e roteirista. Naomi tem duas peças de teatro no qual ela escreveu, dirigiu e atuou. Grossman ficou bem famosa quando entrou para segunda temporada de American Horror Story, que foi ao ar na televisão dos Estados Unidos dia 17 de Outubro,2012. Sua personagem se chamava Pepper, foi uma das personagens que ficou mais famosa no Brasil. Confira a baixo a entrevista que fizemos com a atriz:

 

AHS: Olá Naomi! É um grande prazer estar entrando em contato novamente com você. Podemos começar nossa entrevista falando um pouco sobre como começou a sua carreira?

Desde muito pequena eu sempre queria ser atriz. Meus pais me levavam sempre pra assistir ao teatro, e eu sempre quis estar lá. A cidade em que eu vivia era pequena, logo eu fazia de tudo. Cada sábado eu atuava em uma peça, televisão e propagandas eu também fazia.  Quando eu fui para à universidade, eu já sabia que eu iria seguir a carreira de atriz. Depois decidi ir a Los Angeles, porque pois, eu tinha um namorado aqui, o clima é legal, e tem a indústria do entretenimento que é o mais importante!

AHS: Quais foram os desafios de interpretar Pepper?

Haviam muitos desafios. Primeiro, eu tenho mais experiência com comédia e obviamente “American Horror Story” não é comédia. É um papel muito especial, pois a Pepper tem uma deficiência e é uma deficiência real, e eu sabia que muita gente assim iria ver a minha atuação, por isto eu não queria que eles se sentissem como se fosse uma brincadeira. Que obviamente eu não queria fazer bulliyng. Também eu nunca me imaginava trabalhar com pessoas tão famosas e talentosas como Jessica Lange, já que eu sempre me resumia a fazer papéis mais pequenos na comédia. Por isto atuar junto com pessoas assim foi um sonho. Isto foi um desafio, já que eu era a única pessoa que não era famosa ali. A maquiagem foi um desafio também, pois haviam muitas coisas que eu não podia fazer. Ela, a maquiagem, cobria muito o meu rosto, logo eu tinha que fazer expressões mais fortes. E tinha as coisas pequenas de sempre: eu precisava me coçar e não podia; não podia fazer nada com as mãos, eu queria comer algo ou jogar no celular e eu não podia, pois o meu iPhone não respondia o meu contato com as mãos por causa da maquiagem. Eu precisava de ajuda a todo o momento, e isso foi um desafio. Também me davam lentes estranhas para os olhos, logo eu não podia ver direito, então eu estava dançando e tudo mais e não podia ver. Enquanto estávamos dançando em ‘The Name Game’, haviam muitas câmeras e eu obviamente não podia ver, então eu não queria bater em Jessica Lange nem uma câmera cara. Por isto também foi difícil, mas muito engraçado. E claro, o maior desafio foi a “troca de papel” no meio da série. Estudei muito para o começo da Pepper, eu me espelhava no personagem interpretado por Schlitze no filme “Freaks”, do Tod Browning, que foi a inspiração pra este personagem. Eu estava muito acostumada com a Pepper do começo da série, mas quando os extraterrestres me trouxeram de volta, eu não tive muito tempo para prepará-la, e não me davam o roteiro completo. Então eu fiquei tão perdida quanto vocês!

AHS: O que você sentiu quando se viu no espelho como Pepper? Pois eu assisti um vídeo em que você teve que raspar o cabelo para se transformar e foi uma cena muito forte.

Sim, foi muito forte. Agora eu já sei que não é para tanto, mas naquele momento ter passado por tudo isso do nada foi forte. Mas eu acho que valeu a pena, e também o cabelo cresce.  Agora eu já tenho cabelo de volta, igual a Beyoncé!

AHS: Se você tivesse a chance de falar algo para ela, o que diria?

Pepper não existe, logo eu não posso falar com alguém que não existe. Mas se eu pudesse falar com Schlitze, o senhor que foi a inspiração para a Pepper, eu gostaria de dar um abraço forte e agradecer ele, pois realmente eu não estaria aqui se não fosse por ele.

AHS: E qual mensagem imagina que Pepper passaria a você?

Eu não sei, a Pepper não fala sem mim. Eu acho engraçado quando alguém me escreve “Eu amo você e a Pepper”, pois somos a mesma pessoa. A Pepper está dentro de mim. Pareço outra pessoa, mas não é, sou eu. (Risos)

AHS: Você poderia dizer se tem novos projetos para atuar na TV?

Na televisão não, mais no cinema, eu tenho um filme que vamos filmar em Outubro. É um filme de ficção científica sobre luta livre, aquelas praticadas pelos mexicanos, onde eles usam máscaras. Então vai ser muito divertido. Infelizmente não posso falar mais nada sobre isso ainda… (Risos)

AHS: O que você já sabe sobre a terceira temporada de American Horror Story?

Esta semana eu escutei muitas notícias sobre American Horror Story: sei que eles já confirmaram o Denis, Alexandra e a Jamie Brewer. Eu acho que são boas notícias, já que isto significa que agora estão pensando em os papéis mais pequenos, que eu também poderia fazer. Entre janeiro e março, eles estão pensando no elenco principal, os que vão ser as estrelas. Eu, obviamente, cheguei a ter fama, mas não estou nesse nível ainda. (Risos)

AHS: Pensam que nos bastidores de séries/filmes de terror não existe muita alegria, mas para quebrar esse paradigma, você poderia citar uma brincadeira que marcou nos bastidores?

Não é verdade, tem muita felicidade e muitas brincadeiras. Só porque é um programa de terror, não quer dizer que não tenha felicidade. Como eu sou comediante, eu trago muita alegria por onde ando. Obviamente é um lugar sério, e como nós estamos trabalhando sério, não estamos fazendo brincadeira cada minuto. Mas todo mundo é muito boa gente e sabem divertir, rir, sabem passar algo bom. ‘The Name Game’ foi o dia mais divertido, pois estávamos dançando um dia inteiro. Quando fazíamos um take, dançávamos a música toda. Eu poderia realmente fazer o que eu faço, que é atuar de uma maneira muito grande sem ter que limitar e ficar mais presa em algo sério. Tipicamente, os diretores me falam: “Faz menos, faz menos”, mas este dia eles não me falavam o mesmo. Diziam assim: “Mais, mais como a Pepper”.

AHS: Existe alguém do elenco cujo você se aproximou mais, se sim, conte para nós como é o relacionamento de vocês?

Do elenco eu não sei, já que eu estava quase sempre na maquiagem. Eles me deixavam sair só para ensaiar e filmar, depois voltava para a maquiagem novamente, pois retocavam a cada momento. Eu conheci todos e ficamos amigos, mas não havia muito tempo livre, já que estávamos trabalhando no personagem. A Sarah Paulson é muito divertida, James Cromwell é legal, e a Jessica Lange… pois, é um orgulho estar ao lado dela. Mas realmente as pessoas que cheguei a conhecer mais foi a equipe da maquiagem, pois passei todo dia e toda noite com eles.

AHS: Conte para nós qual é a diferença de trabalhar para a televisão e para o teatro?

Tem muita diferença. A maior diferença é que na televisão o que mais vale é a expressão e os movimentos tem que ser mais sutis. Teatro tem que atuar para gente que está a 50 metros ou até mais do que isso. Eu acho que pra mim o teatro é bem mais fácil, porque sou uma pessoa muito expressiva, quando eu falo, eu faço caras estranhas e engraçadas. Pepper foi muito especial e perfeito para mim, porque realmente eu podia fazer o que eu faço sem ter que ser muito sutil. Também obviamente na televisão se tem mais fama, por isto o irônico, já que eu tenho anos e anos no teatro e quase ninguém me conhecia. Por exemplo: na minha peça “Carnival Knowledge”, viajei e apresentei os espetáculos desde Los Angeles até Nova York e Londres, mas as pessoas não me conhecem pelos meus papéis no teatro. É irônico porque o meu trabalho em teatro foi muito mais difícil que “American Horror Story.” Pepper foi bem mais fácil do que eu fiz antes. Por causa da minha experiência no teatro, eu estou acostumada a não errar tanto. Eu fiquei muito amiga dos editores, e eu me lembro que eles estavam fazendo um vídeo dos erros de gravações para a nossa festa e me disseram: “Naomi, você nunca fez nada errado, por isso você não está nesse vídeo”. (Risos) Estou acostumada de que no teatro não pode ser fazer uma segunda vez. Isso é uma boa preparação. Os atores de televisão não estão acostumado a memorizar uma peça inteira e fazer tudo em uma noite. Mas claro, prefiro a fama da televisão, isto sim. (Risos) É um pouco triste, porque os atores de teatro não são tão reconhecidos, porque realmente o trabalho que eles fazem valem muito a pena.

AHS: Como surgiu a vontade ser atriz?

A minha família era muito cultural. Nós íamos sempre ao teatro, então eu acho essa minha vontade pela carreira de atriz, surgiu assistindo peças de teatro e os filmes no cinema. Desde pequena eu era muito extrovertida e nunca me passou na cabeça em fazer outra coisa, só ser atriz. Mas foi difícil. Quando eu cheguei a Los Ángeles, tratando de entrar na carreira, tive que trabalhar muito comigo mesma. Chegava a dizer para mim: “É isso que eu quero!” porque neste momento eu estava um pouco perdida na minha carreira, eu estava sendo pouco reconhecida. Muitas vezes me peguei perguntando: “Naomi, quando você quer isso? Vale a pena sofrer tanto assim?” No meu caso, acho que sim, valeu.

AHS: Nós fãs, olhamos para você e te vemos realizada, ou seja, vivendo do jeito que você sempre sonhou. Tem algo que você sonha que ainda não realizou?

Claro que sim! Tem muitas coisas que ainda não realizei. Acredito que é agora que está por fim tendo resultado. Aqui tem um programa que se chama “Saturday Night Live.” Eu sempre quis trabalhar nesse programa, e ainda gostaria. Eu gostaria de ter o meu próprio programa. Gostaria de ter um programa de comédia, onde teriam várias cenas comigo fazendo personagens diferentes. Também gostaria de fazer mais papéis como Pepper. Quero  sempre trabalhar em papéis especiais, em programas bem escritos e bem feitos. Eu tenho muito orgulho de ter feito parte da série, porque ela é realmente bem feita.

AHS: Assisti a uma peça sua e vi que ela é totalmente humorística, e já na série você tem algo mais pro lado do terror. Existe algum outro gênero que você gostaria de fazer? Ou entre estes, qual você gosta mais e porquê?

Obrigada por ter assistido. Eu acho que “American Horror Story” foi a primeira audição do gênero dramático que eu fiz em toda minha vida. Obviamente eu estudava o gênero, mas por ter uma forma de ser mais engraçada e humorística, nunca me davam papel assim. Não escolhemos o nosso caminho, e acho que eu sempre pensava que a comédia ia ser o meu caminho, mas não foi. É importante para um ator que está começando fazer o que lhe interessa e os papéis que vão surgindo, sem limitar-se. Agora o gênero não me importa. Eu me sinto mais à vontade na comédia, pra mim é como se eu me sentisse em casa, mas sei que consigo fazer de tudo.

AHS: Olhando para o seu passado, o que você pode nos dizer que se sente orgulhosa?

Eu me sinto muito orgulhosa do meu trabalho nas minhas peças. As duas peças que tenho, foram peças de uma hora cada. Eu escrevi, produzi, viajei por várias cidades do mundo. Recebi ótimas críticas e até fui nomeada em uma premiação de teatro. E isso foi tudo eu sozinha, não havia mais ninguém. Por isto tenho muito orgulho disso. Eu acho que alguns atores principiantes ficam em casa esperando que o telefone toque. Você tem que criar a carreira que você quer, e eu fiz isso. Eu não fiquei famosa por causa das minhas peças e também não ganhei muito dinheiro. Algumas portas se abriram, mas não tanto como “American Horror Story.” Obviamente, “American Horror Story” não tem nada a ver com as minhas peças, mas eu acho que as minhas peças é que me dirigiram para a série.

AHS: Deixe uma mensagem para os teus fãs brasileiros.

Eu tenho muito o que dizer! Primeiramente, obrigado pelo apoio e as mensagens, os beijos e os abraços. É muito especial e um pouco louco, porque eu amo o Brasil desde muito tempo atrás. Eu estudava português na universidade, pois eu estava apaixonada por um famoso ator brasileiro que estava na universidade comigo. Ele era muito bonito, assim eu pensava: “Ah, talvez isso vai ajudar ele se interessar por mim!” Mas eu estava tão apaixonada que eu nunca cheguei a falar com ele! Também fazia aula de capoeira, as vezes saio para dançar um samba e escuto música brasileira. Viu, eu sempre amava Brasil, e agora que vocês também me amam, é como um círculo completo! Eu imagino que em outros países a Pepper também seja amada, mas acho que os fãs Brasileiros são os mais apaixonados. Eu mando mais tweets em Português do que Inglês. Os meus amigos no Twitter vinham falar comigo: “Eu agora não quero te seguir mais, porque eu não entendo nada do que você diz.” Nos primeiros capítulos eu vi que Pepper estava ficando muito popular lá no Brasil, mas esperava até que eu voltasse para contar o meu segredo… Eu sabia que o que iria se passar na série com Pepper, então eu esperei até a Pepper voltar para escrever e responder os tweets em Português. Por isto quando voltei assim escrevendo em Português, as pessoas ficaram loucas! Todos diziam: “A Pepper agora não só é inteligente e ainda fala o meu idioma. Cara, isto é espetacular!” Foi demais ver tudo isto, pois eu já tinha tudo planejado na minha mente… Pois, a Pepper sempre sabe de tudo!

 

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